Bom, vou começar as notícias em primeira pessoa mesmo, depois o blog toma jeito.
Como todos sabem, após o 11 de setembro, os Estados Unidos começaram a tentar organizar melhor as suas entradas e saídas, mais as entradas (exeptuando o México, que é um capítulo à parte), que as saídas, afinal, todos são bem-"indos"... um a menos para perturbar o Tio Sam. Nos aeroportos, depois de sermos fotografados, temos que deixar a nossa assinatura digital (falo do dedão mesmo) e responder a um monte de perguntas, como "porque está vindo pela enésima vez aos Estados Unidos?", "O que você faz no seu país?", "Qual a sua profissão?" e asim vai... Na minha última entrada, fui "convidado" para uma segunda triagem, onde, dentro de uma sala, via os responsáveis pela "Homeland Security", em cima de um altar, quase igual ao da Igreja, só que tomado de computadores e microfones, e nós, pobres mortais, ansiados por botar o pé fora do aeroporto e começar a ganhar as verdinhas, ficamos com o rabo entre as pernas, nos bancos duros da planície, pensando: "Caramba, será que me ferrei? Putz, meu planejamento vai todo para o beleléu" (essa é bem velha, não é). Dá uma aflição, principalmente quando alguém proximo a ti vai para uma outra salinha que nem quero saber como é. Para mim, o caminho às portas da esperança foi aberto, mas muitos dos meus "coleguinhas" de banco, tiveram que aguardar o próximo vôo e regressar à Terra Brasilis. É fato!
Como o nosso mundo está cada vez mais caótico, as bombas da Inglaterra fizeram o Tio Sam ficar de bituca ligada. Agora todas as pessoas que andam de trem (metrô), nos estados de New Jersey, New York e Virgínia, devem mostrar tudo o que carregam dentro de mochilas, bolsas, sacos, etc. Se a pessoa se negar, não irá embarcar. A regra também vai ser aplicada na Califórnia e nos trens da Amtrak, que fazem as rotas inter-estaduais, podendo ser também aplicado em outros estados ou nas grandes cidades, como Chicago. O que isso tem a ver com o título? bom, o processo é gradual, além de um policial checar a bagagem do sujeito, outro policial faz a checagem dos documentos da pessoa. Muitos imigrantes ilegais, que andam de metrô, estão sendo procurados pelo "Homeland Security", sob ordem de prisão e deportação imediata do país, ou seja, são "fugitivos", segundo a corte americana. No momento, a policia comum não se envolve nesses assuntos de imigração, mas a cada instante de perturbação da ordem pública, se "aventa" a possibilidade de, através de um decreto ou uma nova lei, o policial comum poderá ter o direito (e dever) de questionar a situação legal da pessoa no país. Claro que primeiro iriam os que já estão com a expulsão determinada pela justiça, mas quem afirma que, na triagem, os indocumentados (asim são chamados os imigrantes ilegais) não sejam encaminhados aos agentes de imigração? Se isso acontecer, vai chegar uma hora que os metrôs vão esvaziar, quem vai querer arriscar o pescoço? Outra coisa, em nome da segurança contra o terrorismo, a direita americana se farta, colocando todo o seu arsenal bélico e anti-imigrante, para prejudicar as minorias cada vez maiores em território Yankee, hispanos e brasileiros, tudo em nome da segurança interna.
Usei o termo "gradual", porque as coisas aqui acontecem devagar, mas acontecem. Conheço a américa desde 2002, estive em 2003 e agora em 2005. Neste período, já vi muitas mudanças, e para quem está aqui, vai se adaptando aos poucos e nem percebe o quando mudou, mas para quem vem de fora, e no meu caso, com o olhar analítico de curiosidade natural para alguém da minha profissão, muita coisa mudou, e para quem vem tentar a vida aqui, para pior.
Através deste misto de depoimentos pessoais e narrativas informativas, poderei manter este blog, mas procurarei ser sempre parcial ao tratar dos assuntos, embora alguns tons críticos irão se manifestar, "sometimes".
Abraços aos leitores!
terça-feira, agosto 09, 2005
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Um comentário:
Daeee, Jaime!
Poiszé cara, a situação está ficando complicada, conforme acompanhamos aqui via novela das 8h.
Tem até esse filme agora mostrando(na ficção) como seria um dia sem os hispanicos, algo assim...
O lance é se valer da malandragem já adquirida nesse tempo e segurar as pontas.
Mas, é claro, nada como nossos pagos... hehehe
Abração!
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