Como é sabido e notório, o México sempre foi a rota principal para entrada de imigrantes ilegais ao Estados Unidos, e em particular, a dos brasileiros.
Semana passada conheci dois desses "aventureiros" que travaram a batalha pela sobrevivência em terreno tão hostil quanto o deserto entre o México e EUA. A realidade da travessia, nua e crua, é bem mais dolorosa que a transmitida em rede nacional da novela "América".
Falar sobre cruzar a fronteira ilegalmente é quase um tabu. Aqui ninguém gosta de falar sobre esse assunto. Seja para se proteger, seja para proteger os coiotes (são os que mantêm a rota aberta para os próximos "clientes"). A minha sorte foi que esses dois homens foram trabalhar temporariamente no mesmo lugar que eu, e aos poucos vou colhendo "elementos" para compor o que agora escrevo.
Geílson e Geír. Parece dupla sertaneja, mas não é. Brasileiros que abandonaram suas famílias e filhos em busca do "sonho americano", ou melhor dizendo, a "ilusão do sonho americano". Correndo risco de vida, passaram sede, fome e cansaço no deserto. O primeiro está aqui há 11 meses. O outro, apenas sete.
Mato-grossense de Cuiabá, Geílson tem 41 anos, dois filhos e é casado. Vai pagar 11 mil dólares a travessia. Ganha oito dólares por hora de trabalho, em uma semana de 40 horas, em média. 320 dólares é o seu soldo semanal. Se não gastasse em nada, quitaria a dívida em 8 meses e meio, ou seja, precisaria trabalhar esse período de tempo apenas para pagar o "serviço imigratório". Mas todo ser vivo precisa comer e dormir, necessidades básicas, e no caso de Geílson, também precisa gastar para comprar roupas (infelizmente o serviço migratório alternativo não contempla com transporte de volumes pessoais), além de ter que enviar algum dinheiro para a família todo mês, para alimentar seus filhos. Para se ter uma ideia, ele diz que necessita, no mínimo, 1 ano e meio para pôr a casa em ordem (pode-se descontar os 11 meses que ele já passou), isso sem nenhum luxo e vivendo em condições quase que franciscanas.
Geír é mineiro, morador da periferia de "Belô". 25 anos, também casado e com três filhos, o mais velho tem 7 anos. Ainda "fresco" na nova vida, fala em regressar ao Brasil em 2010. Quando conseguiu cruzar a borda, ligou para seus parentes no Brasil e eles pagaram 3500 dólares, à vista, ao agente "turístico", após confirmar a sua chegada em território americano já fez um pagamento de 600 dólares e ainda deve 5900 dólares. Custo da travessia: US$ 10.000,00.
Há muitas coisas para escrever sobre esses dois, e irei fazê-lo ao seu tempo. Na próxima postagem irei dar maiores detalhes sobre as desventuras do Geír no deserto.
sexta-feira, outubro 21, 2005
domingo, setembro 25, 2005
Festa brasileira em Newark
Todos os anos, após o Brazilian Day em New York, acontece a festa brasileira na cidade de Newark, em New Jersey. Newark é uma das maiores cidades do "Estado Jardim", mas busco informações mais técnicas para que tenham uma idéia da importância desta localidade:
"Newark é a maior cidade do estado americano de Nova Jérsei, e uma das principais cidades da região metropolitana de Nova Iorque.
A menor das 100 mais populosas cidades norte-americanas, Newark possui uma área de 63 km², onde moram aproximadamente 273 mil habitantes, possuíndo uma densidade demográfica de 4,400/km². Newark é um moderno centro comercial, industrial e financeiro, e onde está localizado o segundo principal aeroporto da zona metropolitana de Nova Iorque, que movimenta quase 30 milhões de passageiros anualmente." Fonte: Winkpédia - A Enciclopédia Livre http://pt.wikipedia.org/wiki/
Resumindo, cidade de oportunidades e altíssima movimentação financeira onde, claro, os brazucas vêm buscar um lugar ao sol. E onde tem brasileiro, tem festa.
Não querendo ser chato com dados técnicos, mas às vezes eles ajudam para alguma coisa, sirvam-se como quiserem!
Quanto a festa aqui de Newark, ela ocorreu nos dias 09,10 e 11 de setembro.
Escrevo um pouco "distante" do período em que ocorreram os fatos que aqui vou relatar, por ter tido algumas mudanças na minha rotina, principalmente a de trabalho. Readaptação é a palavra.
Bueno, voltando a festa brasileira, a cidade realmente "ferve" nesses 3 dias de folia. São 3 palcos com bandas ao vivo, centenas de barraquinhas que vendem desde acarajé até eletrônicos "made in China". A Ferry Street, rua principal do bairro dos brasileiros, o "Ironbound", fica fechada e tomada por residentes e turistas de outros estados americanos, que buscam na brasilidade um pouco de alegria para contrapor a amargura de viver sob o governo de Busch.
Na festa de Newark, além do carnaval de New Órleans, é o único momento onde se pode beber na rua, sem "ocultar" a bebida dentro de um saquinho de papel marrom (já devem ter visto em filmes). É curioso! Poder beber aqui na rua, em frente aos "cops", é uma aventura que ninguém perde, nem eu.
Toda festa é um misto de alegria azaração e brigas. E falando em brigas, aconteceu um fato que presenciei no palco principal do evento. Estava tocando o Gerasamba, com seus ritmos baianos, quando um grupo de jovens, todos de camisa preta, começaram a dançar e intimidar o público que estava a sua volta. Bom, baixaria total, brasileiros e alguns hispanos formavam essa gangue. No meio do show, um conhecido organizador desse evento, e da comunidade "newarkiana", chamado "Sampa"(que se diz jornalista e apresenta um noticiosa local, tipo os que aparecem no canal comunitário das televisões a cabo do Brasil), intimou essa turma de perversos, falando em português (é claro), no alto do palco e dando também seu showzinho à parte. Como aqui tudo gira em torno de um assunto delicado como o status imigratório, e seu "Sampa" ameaçando a turminha com os "cops" e com uma nova lei que permite aos homens da lei perguntarem qual a situação legal no país. Em caso de alguém irregular no país, os policiais podem reter e entregar os ilegais para o Departamento de Segurança Interno, chamado de serviço de imigração. Com uma ameaça dessas, os brigões sossegaram o facho e sumiram da vista. Como diz a minha sobrinha Kaká: "Sem noção!".
No final tudo acaba bem, alguns bebem mais que o pobre do fígado pode aguentar e ficam vomitando pelas calçadas americanas, como se fossem as calçadas brasileiras. Ao menos o vômito é legitimamente brasileiro, na maioria das vezes. E festa brasileira, seja onde for, sempre será uma festa brasileira, com seus temperos, swings, confusões e beleza (feminina, é claro!).
"Newark é a maior cidade do estado americano de Nova Jérsei, e uma das principais cidades da região metropolitana de Nova Iorque.
A menor das 100 mais populosas cidades norte-americanas, Newark possui uma área de 63 km², onde moram aproximadamente 273 mil habitantes, possuíndo uma densidade demográfica de 4,400/km². Newark é um moderno centro comercial, industrial e financeiro, e onde está localizado o segundo principal aeroporto da zona metropolitana de Nova Iorque, que movimenta quase 30 milhões de passageiros anualmente." Fonte: Winkpédia - A Enciclopédia Livre http://pt.wikipedia.org/wiki/
Resumindo, cidade de oportunidades e altíssima movimentação financeira onde, claro, os brazucas vêm buscar um lugar ao sol. E onde tem brasileiro, tem festa.
Não querendo ser chato com dados técnicos, mas às vezes eles ajudam para alguma coisa, sirvam-se como quiserem!
Quanto a festa aqui de Newark, ela ocorreu nos dias 09,10 e 11 de setembro.
Escrevo um pouco "distante" do período em que ocorreram os fatos que aqui vou relatar, por ter tido algumas mudanças na minha rotina, principalmente a de trabalho. Readaptação é a palavra.
Bueno, voltando a festa brasileira, a cidade realmente "ferve" nesses 3 dias de folia. São 3 palcos com bandas ao vivo, centenas de barraquinhas que vendem desde acarajé até eletrônicos "made in China". A Ferry Street, rua principal do bairro dos brasileiros, o "Ironbound", fica fechada e tomada por residentes e turistas de outros estados americanos, que buscam na brasilidade um pouco de alegria para contrapor a amargura de viver sob o governo de Busch.
Na festa de Newark, além do carnaval de New Órleans, é o único momento onde se pode beber na rua, sem "ocultar" a bebida dentro de um saquinho de papel marrom (já devem ter visto em filmes). É curioso! Poder beber aqui na rua, em frente aos "cops", é uma aventura que ninguém perde, nem eu.
Toda festa é um misto de alegria azaração e brigas. E falando em brigas, aconteceu um fato que presenciei no palco principal do evento. Estava tocando o Gerasamba, com seus ritmos baianos, quando um grupo de jovens, todos de camisa preta, começaram a dançar e intimidar o público que estava a sua volta. Bom, baixaria total, brasileiros e alguns hispanos formavam essa gangue. No meio do show, um conhecido organizador desse evento, e da comunidade "newarkiana", chamado "Sampa"(que se diz jornalista e apresenta um noticiosa local, tipo os que aparecem no canal comunitário das televisões a cabo do Brasil), intimou essa turma de perversos, falando em português (é claro), no alto do palco e dando também seu showzinho à parte. Como aqui tudo gira em torno de um assunto delicado como o status imigratório, e seu "Sampa" ameaçando a turminha com os "cops" e com uma nova lei que permite aos homens da lei perguntarem qual a situação legal no país. Em caso de alguém irregular no país, os policiais podem reter e entregar os ilegais para o Departamento de Segurança Interno, chamado de serviço de imigração. Com uma ameaça dessas, os brigões sossegaram o facho e sumiram da vista. Como diz a minha sobrinha Kaká: "Sem noção!".
No final tudo acaba bem, alguns bebem mais que o pobre do fígado pode aguentar e ficam vomitando pelas calçadas americanas, como se fossem as calçadas brasileiras. Ao menos o vômito é legitimamente brasileiro, na maioria das vezes. E festa brasileira, seja onde for, sempre será uma festa brasileira, com seus temperos, swings, confusões e beleza (feminina, é claro!).
quinta-feira, setembro 01, 2005
Furacão Katrina!
Impressionante como o furacão deixou no seu rastro, além da óbvia destruição, a manifestação bárbara dos americanos, quando submetidos a uma situação de catástrofes como essa. Pois é, país de primeiro mundo (?), quando submetido a pressões das calamidades naturais, demostram que sua condição de privilegiados temporários contemporâneos, o país do "Empire State", não são em nada diferente dos seus primos pobres espalhados pelo mundo. Saques, roubos, luta pela sobrevivência, polícia sem capacidade de resolver os problemas enfrentados, fome, sede, falta de meios de comunicação (impressionante, nem celulares estão funcionando em New Orleans), ou seja, caos generalizado!
Acreditem se quiser, enquanto os "patriotas" tentam fazer do Iraque um país "democrático", centenas (pode chegar a milhares) de pessoas estão mortas por causa do Katrina e o exército americano ainda não deu as caras para ajudar no policiamento e nos reparos da infra-estrutura, como as pontes, naquela região, os que apareceram foram para os shoppings, ruas comerciais, etc, proteger as mercadorias. Em mundo capitalista, o capital vem antes das pessoas. E é esse o melhor exército do planeta, que não consegue nem ajudar seu próprio povo, mas quer "ajudar" o povo alheio e proteger bens de consumo em detrimento à vida humana. Já o Bush, deu uma voltinha de avião pelas áreas atinguidas e viu o todo o desastre. De cima é fácil!
Por incrível que pareça, por aqui em NY e redondezas, estão todos mais preocupados com o "Labor Day", feriado na próxima segunda, 05 de setembro, do que com o que está acontecendo na Louisiania. Vai entender esse povo?
Esses fatos corroboram com as idéias de que não se pode levar o discurso Yankee a sério. Vejo brasileiros que adoram falar mal do nosso país por aqui, dizendo que nunca mais voltarão à Terra Brazilis (ops, só a "passeio"), que aqui é o melhor lugar do mundo e coisa e tal, mas parece que esquecem de ver os noticiários americanos (querem só a globo internacional) e das críticas que a imprensa faz contra essa condição em que os próprios americanos se encontram, neste caso em particular, onde a mercadoria vale mais que as pessoas. Se um americano vale menos que as mercadorias das lojas como Wal-Mart, qual é o valor do imigrante brasileiro na sociedade americana?
Acreditem se quiser, enquanto os "patriotas" tentam fazer do Iraque um país "democrático", centenas (pode chegar a milhares) de pessoas estão mortas por causa do Katrina e o exército americano ainda não deu as caras para ajudar no policiamento e nos reparos da infra-estrutura, como as pontes, naquela região, os que apareceram foram para os shoppings, ruas comerciais, etc, proteger as mercadorias. Em mundo capitalista, o capital vem antes das pessoas. E é esse o melhor exército do planeta, que não consegue nem ajudar seu próprio povo, mas quer "ajudar" o povo alheio e proteger bens de consumo em detrimento à vida humana. Já o Bush, deu uma voltinha de avião pelas áreas atinguidas e viu o todo o desastre. De cima é fácil!
Por incrível que pareça, por aqui em NY e redondezas, estão todos mais preocupados com o "Labor Day", feriado na próxima segunda, 05 de setembro, do que com o que está acontecendo na Louisiania. Vai entender esse povo?
Esses fatos corroboram com as idéias de que não se pode levar o discurso Yankee a sério. Vejo brasileiros que adoram falar mal do nosso país por aqui, dizendo que nunca mais voltarão à Terra Brazilis (ops, só a "passeio"), que aqui é o melhor lugar do mundo e coisa e tal, mas parece que esquecem de ver os noticiários americanos (querem só a globo internacional) e das críticas que a imprensa faz contra essa condição em que os próprios americanos se encontram, neste caso em particular, onde a mercadoria vale mais que as pessoas. Se um americano vale menos que as mercadorias das lojas como Wal-Mart, qual é o valor do imigrante brasileiro na sociedade americana?
terça-feira, agosto 09, 2005
Cada vez complica mais...
Bom, vou começar as notícias em primeira pessoa mesmo, depois o blog toma jeito.
Como todos sabem, após o 11 de setembro, os Estados Unidos começaram a tentar organizar melhor as suas entradas e saídas, mais as entradas (exeptuando o México, que é um capítulo à parte), que as saídas, afinal, todos são bem-"indos"... um a menos para perturbar o Tio Sam. Nos aeroportos, depois de sermos fotografados, temos que deixar a nossa assinatura digital (falo do dedão mesmo) e responder a um monte de perguntas, como "porque está vindo pela enésima vez aos Estados Unidos?", "O que você faz no seu país?", "Qual a sua profissão?" e asim vai... Na minha última entrada, fui "convidado" para uma segunda triagem, onde, dentro de uma sala, via os responsáveis pela "Homeland Security", em cima de um altar, quase igual ao da Igreja, só que tomado de computadores e microfones, e nós, pobres mortais, ansiados por botar o pé fora do aeroporto e começar a ganhar as verdinhas, ficamos com o rabo entre as pernas, nos bancos duros da planície, pensando: "Caramba, será que me ferrei? Putz, meu planejamento vai todo para o beleléu" (essa é bem velha, não é). Dá uma aflição, principalmente quando alguém proximo a ti vai para uma outra salinha que nem quero saber como é. Para mim, o caminho às portas da esperança foi aberto, mas muitos dos meus "coleguinhas" de banco, tiveram que aguardar o próximo vôo e regressar à Terra Brasilis. É fato!
Como o nosso mundo está cada vez mais caótico, as bombas da Inglaterra fizeram o Tio Sam ficar de bituca ligada. Agora todas as pessoas que andam de trem (metrô), nos estados de New Jersey, New York e Virgínia, devem mostrar tudo o que carregam dentro de mochilas, bolsas, sacos, etc. Se a pessoa se negar, não irá embarcar. A regra também vai ser aplicada na Califórnia e nos trens da Amtrak, que fazem as rotas inter-estaduais, podendo ser também aplicado em outros estados ou nas grandes cidades, como Chicago. O que isso tem a ver com o título? bom, o processo é gradual, além de um policial checar a bagagem do sujeito, outro policial faz a checagem dos documentos da pessoa. Muitos imigrantes ilegais, que andam de metrô, estão sendo procurados pelo "Homeland Security", sob ordem de prisão e deportação imediata do país, ou seja, são "fugitivos", segundo a corte americana. No momento, a policia comum não se envolve nesses assuntos de imigração, mas a cada instante de perturbação da ordem pública, se "aventa" a possibilidade de, através de um decreto ou uma nova lei, o policial comum poderá ter o direito (e dever) de questionar a situação legal da pessoa no país. Claro que primeiro iriam os que já estão com a expulsão determinada pela justiça, mas quem afirma que, na triagem, os indocumentados (asim são chamados os imigrantes ilegais) não sejam encaminhados aos agentes de imigração? Se isso acontecer, vai chegar uma hora que os metrôs vão esvaziar, quem vai querer arriscar o pescoço? Outra coisa, em nome da segurança contra o terrorismo, a direita americana se farta, colocando todo o seu arsenal bélico e anti-imigrante, para prejudicar as minorias cada vez maiores em território Yankee, hispanos e brasileiros, tudo em nome da segurança interna.
Usei o termo "gradual", porque as coisas aqui acontecem devagar, mas acontecem. Conheço a américa desde 2002, estive em 2003 e agora em 2005. Neste período, já vi muitas mudanças, e para quem está aqui, vai se adaptando aos poucos e nem percebe o quando mudou, mas para quem vem de fora, e no meu caso, com o olhar analítico de curiosidade natural para alguém da minha profissão, muita coisa mudou, e para quem vem tentar a vida aqui, para pior.
Através deste misto de depoimentos pessoais e narrativas informativas, poderei manter este blog, mas procurarei ser sempre parcial ao tratar dos assuntos, embora alguns tons críticos irão se manifestar, "sometimes".
Abraços aos leitores!
Como todos sabem, após o 11 de setembro, os Estados Unidos começaram a tentar organizar melhor as suas entradas e saídas, mais as entradas (exeptuando o México, que é um capítulo à parte), que as saídas, afinal, todos são bem-"indos"... um a menos para perturbar o Tio Sam. Nos aeroportos, depois de sermos fotografados, temos que deixar a nossa assinatura digital (falo do dedão mesmo) e responder a um monte de perguntas, como "porque está vindo pela enésima vez aos Estados Unidos?", "O que você faz no seu país?", "Qual a sua profissão?" e asim vai... Na minha última entrada, fui "convidado" para uma segunda triagem, onde, dentro de uma sala, via os responsáveis pela "Homeland Security", em cima de um altar, quase igual ao da Igreja, só que tomado de computadores e microfones, e nós, pobres mortais, ansiados por botar o pé fora do aeroporto e começar a ganhar as verdinhas, ficamos com o rabo entre as pernas, nos bancos duros da planície, pensando: "Caramba, será que me ferrei? Putz, meu planejamento vai todo para o beleléu" (essa é bem velha, não é). Dá uma aflição, principalmente quando alguém proximo a ti vai para uma outra salinha que nem quero saber como é. Para mim, o caminho às portas da esperança foi aberto, mas muitos dos meus "coleguinhas" de banco, tiveram que aguardar o próximo vôo e regressar à Terra Brasilis. É fato!
Como o nosso mundo está cada vez mais caótico, as bombas da Inglaterra fizeram o Tio Sam ficar de bituca ligada. Agora todas as pessoas que andam de trem (metrô), nos estados de New Jersey, New York e Virgínia, devem mostrar tudo o que carregam dentro de mochilas, bolsas, sacos, etc. Se a pessoa se negar, não irá embarcar. A regra também vai ser aplicada na Califórnia e nos trens da Amtrak, que fazem as rotas inter-estaduais, podendo ser também aplicado em outros estados ou nas grandes cidades, como Chicago. O que isso tem a ver com o título? bom, o processo é gradual, além de um policial checar a bagagem do sujeito, outro policial faz a checagem dos documentos da pessoa. Muitos imigrantes ilegais, que andam de metrô, estão sendo procurados pelo "Homeland Security", sob ordem de prisão e deportação imediata do país, ou seja, são "fugitivos", segundo a corte americana. No momento, a policia comum não se envolve nesses assuntos de imigração, mas a cada instante de perturbação da ordem pública, se "aventa" a possibilidade de, através de um decreto ou uma nova lei, o policial comum poderá ter o direito (e dever) de questionar a situação legal da pessoa no país. Claro que primeiro iriam os que já estão com a expulsão determinada pela justiça, mas quem afirma que, na triagem, os indocumentados (asim são chamados os imigrantes ilegais) não sejam encaminhados aos agentes de imigração? Se isso acontecer, vai chegar uma hora que os metrôs vão esvaziar, quem vai querer arriscar o pescoço? Outra coisa, em nome da segurança contra o terrorismo, a direita americana se farta, colocando todo o seu arsenal bélico e anti-imigrante, para prejudicar as minorias cada vez maiores em território Yankee, hispanos e brasileiros, tudo em nome da segurança interna.
Usei o termo "gradual", porque as coisas aqui acontecem devagar, mas acontecem. Conheço a américa desde 2002, estive em 2003 e agora em 2005. Neste período, já vi muitas mudanças, e para quem está aqui, vai se adaptando aos poucos e nem percebe o quando mudou, mas para quem vem de fora, e no meu caso, com o olhar analítico de curiosidade natural para alguém da minha profissão, muita coisa mudou, e para quem vem tentar a vida aqui, para pior.
Através deste misto de depoimentos pessoais e narrativas informativas, poderei manter este blog, mas procurarei ser sempre parcial ao tratar dos assuntos, embora alguns tons críticos irão se manifestar, "sometimes".
Abraços aos leitores!
domingo, agosto 07, 2005
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